Cuidado, o Tesouro Direto pode ser seu pior investimento

São Paulo - Os títulos públicos, negociados pelo site Tesouro Direto, têm algumas boas vantagens: aceitam investimentos baixíssimos (a partir de 30 reais), seu risco de crédito é o risco de o governo quebrar, e eles têm oferecido remunerações interessantes, que ficaram ainda mais atraentes com a elevação da taxa básica de juros, Selic, para 14,25% ao ano. Mas, eles podem ser o pior investimento de todos os tempos se você não souber como eles funcionam.

Os títulos se diferenciam pelo seu tipo de remuneração. Enquanto alguns são prefixados, ou seja, pagam uma taxa de juro que é definida no momento da aplicação, outros são pós-fixados, o que significa seu valor é corrigido por um indexador, como a taxa Selic e o IPCA.

O grande perigo está nos títulos prefixados, que podem levar o investidor a perder dinheiro, sobretudo em cenários como o atual, de tendência de alta da taxa Selic e de incertezas no quadro econômico.

Ainda que o investimento em ações também possa gerar prejuízo, a grande armadilha dos títulos públicos é que eles são investimentos de renda fixa, o que leva muitas pessoas a interpretarem que eles são livres de risco. Além disso, entender seus riscos não é nada simples, o que pode deixar o investidor ainda mais desprevenido e tornar o estrago ainda maior.
Por que os títulos podem gerar prejuízos.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que existem quatro títulos com taxas prefixadas à venda atualmente. Dois deles são puramente prefixados: o Tesouro Prefixado (LTN) e o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F). Ambos pagam ao investidor uma taxa de juro que é definida na hora da compra, mas enquanto o primeiro acumula os rendimentos para o vencimento, o segundo paga juros semestrais.

Os outros dois são pré e pós-fixados: o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B). Eles pagam ao investidor uma taxa de juro definida na compra, mais a variação do IPCA no período do investimento, com a diferença de que no primeiro título os juros são acumulados para o vencimento e no segundo são distribuídos a cada seis meses.
“O Tesouro IPCA+ é um título híbrido, é como se pegasse um pedacinho do Tesouro Prefixado, a parte equivalente ao juro real, e adicionasse o IPCA. Muitos investidores, porém, acham que o título só acompanha a inflação e se esquecem da taxa prefixada, que torna o título muito mais arriscado”, diz Alfredo Cunha, gestor de investimentos da Longea Capital.

A rentabilidade informada no momento da compra dos quatro títulos é garantida se o investidor mantê-los até o seu vencimento. No entanto, eles podem gerar prejuízos se forem vendidos antes do prazo porque sofrem o efeito da chamada marcação a mercado.

Ao aplicar no Tesouro Prefixado, o valor resgatado no vencimento será sempre 1 000 reais. Esse é o chamado valor de face do título. O que muda é o preço que você paga pelo título hoje, como reflexo da taxa de juros definida na hora da compra. O Tesouro IPCA também tem um valor de face de 1 000 reais, mas no vencimento é somado a esse valor o IPCA acumulado no período.

Dependendo do preço que o investidor paga, a taxa pode ser maior ou menor para que o título chegue aos 1 000 reais no final do prazo. Se forem pagos 700 reais pelo título, a taxa de juro terá de ser maior do que se fossem pagos 800 reais, porque em ambos os casos a taxa prefixada deve corrigir o preço do título de forma ele chegue a 1 000 reais no vencimento.

Assim, como o recebimento no futuro é fixo (sempre 1 000 reais), quanto mais barato é o valor no momento da compra, mais o investidor ganhará e maior será sua rentabilidade. Por outro lado, quanto maior o valor pago no momento da compra, menor o ganho, e a rentabilidade.

Para que a remuneração do título fique em linha com a expectativa da taxa Selic - que é usada como referência para o retorno oferecido por diversos investimentos no mercado – tornando-o atraente para investidores, as taxas dos títulos sofrem alterações.

Fonte: Exame